BANCO DE DADOS


ECLIPSE PENUMBRAL DA LUA - 24 DE ABRIL DE 2005

Introdução

Na manhã de 24 de abril de 2005 ocorreu o ECLIPSE PENUMBRAL DA LUA, nas Américas, Oceano Pacífico, Austrália e região da Ásia. Para os observadores localizados no Brasil e Argentina, considerando o horário de Brasília, apenas o início do eclipse pôde ser contemplado, pois quando ocorreu o máximo, a Lua estava abaixo da linha do horizonte.

Foto 1. Lua no horizonte

Quais foram os locais de melhor observação e o que vimos?

Como fora descrito na introdução, os locais de observações foram as Américas, Oceano Pacífico, Austrália e região da Ásia. Porém, infelizmente no Brasil e Argentina, próximo do amanhecer, os observadores puderam apreciar apenas um eclipse penumbral, ou seja, uma leve queda na luminosidade da Lua. A fase que a Lua fica "cortada" não pode ser observada, assim os observadores dessas regiões (Brasil e Argentina) não acompanharam a fase da umbra. Observe na figura 1 qual foi a trajetória da Terra em relação a Lua.

Passagem da Lua, somente pela penumbra

Figura 1. Passagem da Lua

Observe na figura 2, as regiões de observação para o início do eclipse (TU).

Mapa

Figura 2. Locais de observações

Perceba que para o Brasil, estávamos aproximando do amanhecer, que no mapa é representada pela faixa mais clara.

Horários

Observe os seguintes horários na tabela 1 para cada etapa do eclipse ocorrido (horário de Brasília).

Entrada na penumbra

(início da fase 1)

04h49min
24/04/05

Entrada na sombra

(final da fase 1 e início da fase 2)

--
--

Início do eclipse total

(final da fase 2 para início da fase 3)

--
--
Máximo do eclipse
06h54min
24/04/05

Fim do eclipse total

(final da fase 3 para início da fase 4)

--
--

Saída da sombra

(final da fase 4 e início da fase 5)

--
--

Saída da penumbra

(Fim da fase 5 e início da fase 6)

08h59min
24/04/05

Tabela 1. Horários em relação a Brasília

Como o Brasil possui diferentes longitudes, o eclipse iniciou em diferentes horários para cada região. Por exemplo, para quem está localizado em Fernando de Noronha, deveria ter subtraído 2 horas em relação ao horário de Greenwich.

Para evitar qualquer problema de horário, na tabela 2, fornecemos o horário em tempo universal (TU) e para cada região do Brasil basta subtrair o valor indicado conforme a tabela 3.

Entrada na penumbra

07h49min
24/04/05

Entrada na sombra

--
--

Início do eclipse total

--
--
Máximo do eclipse
09h54min
24/04/05

Fim do eclipse total

--
--

Saída da sombra

--
--

Saída da penumbra

11h59min
24/04/05

Tabela 2. Tempo Universal (TU)

-2 horas (TL = TU -2h)

Fernando de Noronha, Atol das Rocas, Penedos de São Pedro, Ilha da Trindade, e Ilhas Martins Vaz.

-3 horas (TL = TU -3h)

Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Tocantins, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernanbuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Maranhão, Distrito Federal, Amapá e Pará (a leste do Rio Xingú).

-4 horas (TL = TU -4h)

Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Roraima, Amzonas (a leste da linha que liga Tabatinga a Porto Acre - AC e Pará (a oeste do Rio Xingú).
-5 horas (TL = TU -5h)
Acre e Amzonas (a oeste da linha que liga Tabatinga a Porto Acre - AC).

Tabela 3. Fusos em relação ao tempo universal

Entenda-se TL como Tempo legal, que significa a hora civil do meridiano central do fuso.

Como o eclipse ocorreu muito próximo da linha do horizonte, foi necessário saber antes quando a Lua iria se pôr. Na tabela 4, fornecemos os horários do pôr da Lua para diferentes regiões.

Local
Latitude
Longitude
Fuso (TU)

Ocaso

da Lua
São Paulo (SP)

23.533 (S)

23º 33' (S)

46.617 (W)

46º 37' (W)

- 3h
6h26min
Brasília (DF)

15.783 (S)

15º 47' (S)

47.009 (W)

47º 54' (W)

- 3h
6h22min
Campo Grande (MS)

20.450 (S)

20º 27' (S)

54.617 (W)

54º 37' (W)

- 4h
05h55min
Macapá (AP)

00.033 (N)

00º 02' (N)

51.050 (W)

51º 03' (W)

- 3h
06h19min
Porto Alegre (RS)

30.033 (S)

30º 02' (S)

51.200 (W)

51º 12' (W)

- 3h
06h53min
Recife (PE)

08.050 (S)

08º 03' (S)

34.900 (W)

34º 54' (W)

- 3h
05h20min
Rio Branco (AC)

07.517 (W)

07º 31' (W)

73.017 (W)

73º 01' (W)

- 5h
05h57min
San Nicolás (Buenos Aires)

33.330 (S)

33º 19' (S)

60.227 (W)

60º 13' (W)

- 3h
07h36min

Tabela 4. Ocaso da Lua

Outras observações porpostas para noite do eclipse

O eclipse lunar proporciona um belo espetáculo a olho nu. Não é necessário nenhum equipamento especial de observação, ao menos que o observador deseje apreciar certos detalhes que esse evento proporciona. Antes do eclipse, pode-se propor a observação da Lua na sua fase cheia e a análise de suas crateras e outros acidentes. Essa análise tem por objetivo a percepção do que ocorre com cada um desses acidentes no momento do eclipse. Na figura 3 temos os nomes das crateras, mares e vales da Lua.

Mapa da Lua

Figura 3. As crateras da Lua

1 - Mare Frigoris
2 - Mare Imbrium
3 - Sinus Aestuum
4 - Sinus Medii
5 - Mare Vaporum
6 - Mare Serenitaris
7 - Mare Tranquillitatis
8 - Mare Crisium
9 - Mare Fecunditatis
10 - Mare Nectaris
11 - Mare Nubium 12 - Mare Humorum
13 - Mare Cognitum
14 - Mare Procellarum
15 - Sinus Roris
16 - Sinus Iridum
17 - Lacus Somniorum 18 - Palus Somnii
19 - Mare Anguis 20 - Mare Undarum
21 - Mare Spumans 22 - Palus Epidemiarum
23 - Montes Alpes
24 - Vallis Alpes
25 - Montes Caucasus 26 - Montes Apenninus
27 - Montes Haemus
28 - Montes Taurus
29 - Montes Pyrenaeus 30 - Rupes Recta
31 - Montes Riphaeus
32 - Vallis Schröteri
33 - Montes Jura 34 - Crater Aristotle
35 - Crater Cassini
36 - Crater Eudoxus
37 - Crater Endymion 38 - Crater Hercules
39 - Crater Atlas 40 - Crater Mercurius
41 - Crater Posidonius 42 - Crater Zeno
43 - Crater Le Monnier 44 - Crater Plinius
45 - Crater Vitruvius 46 - Cráter Cleomedes
47 - Crater Taruntius
48 - Crater Manilius
49 - Crater Archimedes 50 - Crater Autolycus
51 - Crater Aristillus
52 - Crater Langrenus
53 - Crater Goclenius 54 - Crater Hypatia
55 - Crater Theophilus 56 - Crater Rhaeticus
57 - Crater Stevinus 58 - Crater Ptolemaeus
59 - Crater Walter 60 - Crater Tycho
61 - Crater Pitatus 62 - Crater Schickard
63 - Crater Campanus
64 - Crater Bulliadus
65 - Crater Fra Mauro 66 - Crater Gassendi
67 - Crater Byrgius
68 - Crater Billy
69 - Crater Crüger 70 - Crater Grimaldi
71 - Crater Riccioli
72 - Crater Kepler
73 - Crater Aristarchus 74 - Crater Copernicus
75 - Crater Pytheas 76 - Crater Eratosthenes
77 - Crater Mairan 78 - Crater Timocharis
79 - Crater Harpalus 80 - Crater Plato

Tabela 5. O mapa da Lua

Alguns aspectos são interessantes:

Os mares que constituem as regiões mais escuras da superfície lunar são, na realidade, extensas planícies de lavas. O Mare Imbrium (número 2 no mapa), o Mare Serenitaris (número 6) e o Mare Crisium (número 8) são considerados mares de forma circular, enquanto o Mare Procellarum (número 14) é considerado irregular. Existe outros mares na parte "invisível" da Lua, destacando-se o Mare Moscoviense.

As montanhas se apresentam isoladamente ou em cadeias na Lua. Os destaques ficam para a cadeia de montanhas dos Apenninus, nos limites do Mare Imbrium (número 2). Tente identificar essa cadeia de montanhas no mapa para tentar localizar na Lua, antes do evento eclipse.

As crateras predominam na Lua e tem origem meteórica (na sua maioria). As suas formas e dimensões são as mais variadas possíveis chegando a atingir diâmetro superior a 240 km, enquanto outras formam pequeno círculos, cujo diâmetro se reduz a alguns metros ou decímetros. Para esses tamanhos, denominamos de cratereletas. As crateras de maior destaques são a de Tycho (número 60), Copérnico (número 74) e Kepler (número 72) não pelo seus tamanhos, mas pelas inexplicáveis formações.

Os domos ou cúpulas chegam a atingir diâmetros de alguns quilômetros e alturas até 300 metros. Domos significa a parte mais alta e nesse caso lembra alguns vulcões terrestres que apresentam no seu topo pequenas crateras.

Foi sugerido a apreciação a olho nu da Lua cheia, antes do eclipse, para a indentificação de alguns nomes.

Próximo da Lua tínhamos o planeta Júpiter. Durante toda a noite Júpiter foi facilmente localizado por causa da Lua e do seu brilho diferenciado das estrelas a sua volta. Foi um ótimo momento para quem nunca observou esse planeta.

Na noite de 23 de abril, também tivemos uma chuva de meteoros Lirídeos que pode ser apreciada durante o eclipse. Porém, como estávamos com a Lua cheia no céu, o brilho intenso atrapalhou a visualização de alguns meteoros.

Os registros fotográficos

Para registrar o evento, foi utilizado um telescópio Órion reflector de 130 mm (5.1") com f/ 6.9, numa ocular de 25 mm (36X de aumento). Anexado ao telescópio na forma afocal, foi utilizada uma Câmera Sony Cyber-shot 4.1M, com exposição de 1", abertura 1:5.2 e zoom óptico 3x.

Segue abaixo a sequência das fotos.

Foto 2. 04h 45min (LT)

Foto 3. 04h 52min (LT)

Foto 4. 05h 04min (LT)

Foto 5. 05h 14min (LT)

Foto 6. 05h 25min (LT)

Foto 7. 05h 38min (LT)

Foto 8. 05h 46min (LT)

Foto 9. 05h 54min (LT)

Foto 10. 06h 00min (LT)

Foto 11. 06h 05min (LT)

Foto 12. 06h 08min (LT)

Foto 13. 06h 10min (LT)

Foto 14. 06h 11min (LT)

Foto 15. 06h 12min (LT)

Numa sequência, temos

Foto 16. Sequência do eclipse penumbral de 24 abril 2005

Dúvidas ou sugestões envie um e-mail para projetosky@futuro.usp.br.

Bibliografia

MOURÃO, Ronaldo de Freitas. Anuário de Astronomia 2005. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.

NATIONAL AERONAUTICS AND SPACE ADMINISTRATION (NASA). Eclipses during 2005. Disponível em: <http://sunearth.gsfc.nasa.gov/eclipse/OH/OH2005.html>. Acesso em: 24 março 2005.

SCHIMPF, Stephen Michael. Cyber Sky 3.3. Estados Unidos, 2002. (Disponível em www.cybersky.com). Acesso em: 25 março 2005

VERDET, Jean-Pierre. O céu, mistério, magia e mito. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.

WALKER, John. Home planet for windows - Release 3.1. Chile, 2000. (Disponível em www.fourmilab.ch/). Acesso em: 25 março 2005